CAUSOS DO MILONGA, EM LONDRINA PR

DEU GOYTA NA CABEÇA !
Não tenho muito certeza,mas,acredito que o ano foi 1978 ou 79. O time do Goytacaz, assim como o Americano disputava o Campeonato Nacional que, naqueles “anos de chumbo”tinha mais de 70 clubes participando.O lema do Governo era: “Onde a ARENA estiver mal, um time no Nacional” O time da rua do gás foi jogar em Londrina, no Norte do Paraná,onde o time local estava invícto. Vinha de vitórias expressivas no Estádio do Café, recentemente inaugurado, sobre o Vasco da Gama e o São Paulo.Era, na verdade, um timaço;tinha, entre outros, o goleiro Rogério, o lateral Dirceu, o meia Cláudio Garcia e o artilheiro Brandão. Eu fui escalado para narrar o jogo pela Rádio Difusora e na véspera compareci ao escritório para pegar as passagens aéreas e a “grana” das diárias no Hotel Londres pois a reserva já havia sido feita pela competente Iralda Rodrigues. Embarquei para o Rio de Janeiro na velha e sofrida Rodoviária Roberto Silveira e lá chegando orientei o cara do táxi que rumasse para o terminal doméstico do Aeroporto do Galeão,(ainda não tinha o nome de Tom Jobim.). Me lembro que embarquei num’ “Jatão Colorido”da extinta Trans Brasil rumo a Londrina com escalas em São Paulo e Curitiba. O diretor da emissora havia me orientado a procurar a Rádio Paiquerê pois os colegas paranaenses iriam me receber e fornecer a aparelhagem necessária para a transmissão do jogo.Viagem tranquila em “Céu de Brigadeiro”,chegada ao aeroporto local e dalí, de táxi até a Rádio Paiquerê. Me causou estranheza o fato de todos os componentes da equipe de esporte terem o o nome começado por Jota; Ex: Jota Matheus, Jota Mancini, Jota Júnior e JB., Mas, tudo bem. Fui convidado para participar da mesa redonda deles que estava prestes a ir ao ar,Assim foi feito e logo a seguir um deles se prontificou a me deixar no hotel. Fui colocado num Fusca e antes, passamos numa churrascaria, de nome Campo Grande,e cujo almoço foi pago com um cheque que a direção da Paiquerê havia emitido em branco.A cidade já estava vivendo o clima do jogo do dia seguinte. Carros com bandeiras, buzinas, etc.Cheguei finalmente ao hotel e alí aconteceu um fato inesquecível. Um senhor,de seus 60 anos,foi encarregado pela recepcionista para me acompanhar aos aposentos a mim destinados. Ainda no elevador ele falou “O jovem é do Rio de Janeiro,e eu também sou. Só que do interior. Fui criado na cidade de Cantagalo, mas nasci em Campos” Quando ele soube que o Goytacaz jogaria alí, no dia seguinte, se mostrou tão feliz que fez questão de me abraçar e se colocar a disposição para o que eu necessitasse. Resolvi me jogar numa cama e, com um janelão aberto, pra pegar no sono foi daqui pra li. Fui acordado por volta das 18 horas e parecia que estava vivendo um pesadelo.O que estaria acontecendo ?E DEU GOYTA NA CABEÇA (FINAL)tempestade
Fui acordado com uma sequência de trovões,raios riscando o céu de Londrina e,com a janela aberta, parte do quarto com bastante água. Corri pra fechar a janela e era tanta agua que descia que não conseguia enxergar o prédio do Hotel Ouro Verde que ficava do outro lado da rua. Ainda atônito e como havia dormido bastante,olhei a hora no relógio e tomei um susto. Passava um pouco das dezoito horas,justamente o horário previsto para a chegada do voo em que estava a delegação do alvianil da rua do gás.Imediatamente solicitei a telefonista que me colocasse em contato com o aeroporto. Assim feito, fui informado por uma funcionária muito solícita que o quadro não era nada animador. Me lembro até de suas palavras. “Olha moço,no momento há duas aeronaves que estão sobrevoando o nosso espaço, na tentativa de pousarem. Mas,como o senhor,pode perceber as condições climáticas são totalmente adversas.Por favor, entre em contato dentro de uns dez minutos” Agradeci e fiquei imaginando o drama dos que estavam à bordo dos dois aviões.Eu sabia que num deles estava toda a delegação do Azul além de alguns colegas radialistas, que também iam transmitir o jogo do dia seguinte. Os dez minutos que a moça do aeroporto me pediu pareceram uma eternidade. Voltei a ligar e a mesma pessoa me disse:”Olha,senhor:depois de inúmeras tentativas o piloto do avião da VASP, procedente de São Paulo,conseguiu pousar O da TransBrasil,vindo do Rio de Janeiro, com quase 300 pessoas a bordo,deve abortar a aterrissagem pois na última tentativa sem praticamente nenhuma visibilidade e com a ajuda de aparelhos,quase houve uma tragédia. O aeronave deverá retornar a Curitiba,pois deve ter combustível suficiente.. A chuva não parava, os raios e trovões diminuíram e nada me tirava da cabeça o drama de passageiros e tripulantes. Não havia celular,e não queria ligar para Campos para que nenhum parente de jogadores e dirigentes ficassem desesperados.Tomei um banho, não quis jantar, a tempestade cessou e eu não tinha absolutamente nada a fazer numa cidade na qual me encontrava pela primeira vez,Procurei num jornal local a programação dos cinemas e resolvi curtir um lançamento: (007 o Espião que me amava), com Roger Moore, A sessão começou as oito da noite e quando terminou eu imaginei que,finalmente a turma tinha chegado.O cinema ficava perto do hotel e fui andando.Na recepção procurei me informar e a resposta foi desanimadora:”Não senhor, Lamento informar que ainda estamos aguardando a delegação do time de futebol” Resolvi então ligar a televisão mas nada que estava passando me interessava. Acabei desligando o aparelho, desliguei a luz do abajour da cabeceira e adormeci.Lá pelas três da ‘madruga”,fui despertado por fogos atirados em direção ao hotel por torcedores locais que escondiam atrás de árvores de uma praça; naquele instante,compreendi que finalmente,a delegação do Goyta havia chegado, Virei de lado e voltei a dormir. No dia seguinte me levantei cedo e fui tomar o café. Não havia nenhum membro da delegação,pois,depois de tanto sufoco,todos ainda dormiam. O Luís Paulo Ribeiro, que ia narra o jogo pela antiga Rádio Cultura, e Josélio Rocha pela Rádio Campista Afonsiana, dos padres Redentoristas estavam entre os sofridos passageiros. Antes da fazer contato com os dois, peguei no saguão do hotel a Folha de Londrina, um belo jornal,em cores,e de excelente qualidade, E qual era a foto de capa ? Os jogadores chegando ao aeroporto, tendo em primeiro plano o ótimo goleiro Augusto Boca,todos com aspecto deplorável,parecendo de volta de uma guerra. O que passaram a bordo me foi contado pelo Luís Paulo, se com um certo exagero ou não,eu não posso afirmar. Se exagerou era até compreensível depois do sufoco. Segundo o colega radialista,o “jatão” mais parecia uma folha de árvore,sendo jogado pra lá e pra cá e em meio ao clarão dos raios e o terrível barulho da chuva na carenagem do avião,o comandante dizia pelo interfone.” Todos abaixem a cabeça, posicionando-a sobre os joelhos,pois a operação de pouso não está fácil” Em outra oportunidade,voltou a pedir tranquilidade e até que fizessem uma corrente,orando para que tudo desse certo. De acôrdo ainda com o companheiro:”Luiz,quando ligou o interfone pela última vez
eu pensei que o comandante ia dizer”Agora não tem jeito,vamos todos pro inferno” Na verdade o piloto resolveu,por orientação da torre de controle que o melhor seria retornar a Curitiba que estava com tempo bom. E assim foi feito. Mas o relato do Luís Paulo, foi impressionante.Mulheres e crianças choravam no interior da aeronave,havia um sacerdote que puxou uma oração em voz alta, acompanhado de Josélio,”O Gordo Bom de Bola”,sempre muito religioso que tirou do bolso um terço e acompanhou a prece. O Luis Paulo só esqueceu de dizer que, depois de ter ingerido algumas doses de Wisky e ter entrado em pânico, gritava a cada trovão e se agarrou tanto ao braço da poltrona do avião que acabou por arrancá-lo.O perigo passou mas o melhor aconteceu no dia seguinte., Depois de todo o sufoco com o drama nas alturas, noite sem sono e ouvidos doendo em virtude do buzinaço na manhã de domingo,encontraram o Estádio do Café, com cerca de 30 mil torcedores,com apitaço e todos gritando Leão,Leão, O saudoso Piscina,grande ponta direita fez 1×0 no primeiro tempo, mas logo no começo da etapa final Brandão empatou para o time local.Dalí pra frente foi um sufoco só .Mas, com incrível valentia e superação, aos 44 do segundo tempo,num escanteio a favor do Goyta, a bola cair na cabeça do capixaba Rogério Vescovis,que fez o gol da vitória quebrando a invencibilidade do Londrina.O estádio ficou mudo,não se ouvia uma buzina sequer na saída do jogo e os apitos,aí meus amigos,não sei aonde os paranaenses enfiaram. Se alguém desconfiar, por favor,que me digam, Abraços e saudações alvianis.LUIZLUIZ CÂNDIDO TINOCO.

É PÁ E BOLA.

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