CAUSOS DO MILONGA, TOCA AQUI COMPANHEIRO.

Luiz Cândido

TOCA AQUI,COMPANHEIRO !
No final dos anos 1980, após um jogo no estádio do Goytacaz os repórteres da Rádio Continental, Fernando Antonio e Gugu se dirigiram ao bar “Frango de Ouro”, que havia na rua Formosa e era de propriedade de dois vascaínos: Fernando e Zé. Papo vai, papo vem, as horas foram passando e já se aproximando da meia noite, de algum lugar um telefonema foi dado para o bar. A pessoa do outro lado da linha queria saber se determinado radialista ali se encontrava.Como não se tratava de nenhum dos repórteres acima mencionados, Fernando,o proprietário,pediu a interlocutora.”A senhora não quer deixar o recado ? Pode ser que o seu Ronaldo apareça”. Do outro lado da linha a mulher explicou que uma pessoa muito querida nos meios radiofônicos havia falecido e que o corpo já estava sendo velado na Igreja da Boa Morte. O comerciante então,comentou com os dois repórteres,que também conheciam o “finado”. Na verdade se tratava de pessoa que residia em Guarus e que de quando em quando convidava o pessoal do rádio para saborear umas iscas e tomar umas biritas em sua casa. De acordo com Fernando Antonio, o bar já estava com as portas baixadas quando os dois deixaram o local. Ele tinha um Fiat 147, morava no Turfe,mas o colega, já bastante “alto”,residia do outro lado do Paraíba, Se dirigindo a Gugu, disse:” Vou te deixar em casa,que a essa hora é mais seguro.” O colega disse que não iria de jeito algum pra casa, sem que antes passasse no velório do amigo. Fernandinho então argumentou.”Cara, do jeito que você está, não vai dar. Deixa pra amanhã pela manhã”. Mas o Gugu estava determinado e ,irritado,foi taxativo: “Então me deixa na porta da igreja e pode ir embora”. Como não queria deixar o companheiro só e bastante alcoolizado, já quase as duas da madrugada, resolveu acompanhá-lo. Os dois desceram do Fiat 147 e se dirigiram a entrada da igreja Boa Morte. Fernandinho,que estava um pouco menos alcoolizado, reparou que naquela hora, pouca gente estava velando o corpo. Somente algumas senhoras e um velhote. Já prevendo que algo de desastroso pudesse acontecer, resolveu permanecer próximo à porta que da acesso a rua Alberto Torres. Já Gugu, mesmo com o andar trôpego e vacilante, seguia entre os bancos do templo em direção onde estava a urna mortuária e as pessoas sentadas ao lado do corpo.VELÓRIO Fernando observava, de longe,atentamente, os movimentos do colega. Viu que ele olhou para os familiares do falecido e apenas balançou a cabeça.Depois ,disse, “Ele era um bom amigo” Cambaleante e com um tremendo bafo de leão, voltou-se para o caixão e, em voz alta, disse “Pois é companheiro; Você vai fazer muita falta. É uma pena. ” E estendendo o braço em direção ao defunto, completou.”Pela última vez, toca aqui companheiro !” Fernandinho não sabia se ria ou se socorria o colega de rádio, pois as senhoras que velavam o corpo, se livraram dos sapatos e os arremessaram no
repórter ao mesmo tempo em que uma voz gritava “,Seu cachaça barato, você num tá vendo que meu marido tá morto?” A sorte é que ele estava meio “anestesiado” e vai ver que não sentiu muito as sapatadas nas costas.SAPATADANaquela altura dos acontecimentos, Fernandinho já estava entrando no Fiat. O seu colega ainda caminhando com certa dificuldade, entrou no pequeno veículo reclamando”Gente ignorante,sem educação.Num sei como o meu velho amigo,conseguia suportar

LUIZ LUIZ CÂNDIDO TINÔCO, EL MILONGEUIRO.

É PÁ E BOLA.

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